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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Peixe Palhaço



vivendo uma vida que nao me pertence
sigo todos os seus passos
escuto todas as suas vozes
respiro todos os seus suspiros,
e sinto o mesmo que voce

algo que me prende,
me anima
me fisga como um peixe inocente
que acaba de ver algo que o
chama preso em um anzol
a unica diferença, é que eu sei que por traz da isca,
 tem uma ponta afiada de anzol, e mesmo assim,
parece que eu quero furar-me ali,

deixar com que me fisgue,
com que me prenda,
arranque todos os meus ferroes e delicie-se da minha carne branca..
macia e que não precisa de tempero algum!

como vão me saborear hoje?
assada? frita? ou mesmo crua e nua?
como me preferirá nesta noite meu senhor?

tenho um pedido...
me dê um pouco de mim senhor..
deixa que eu experimente da minha carne
 pra tentar perceber o que tanto o prende
o que tanto te chama,
deixe-me provar do meu gosto, sentir meu cheiro
ver-me derreter suavemente dentro da minha boca, misturada à minha própria saliva

deixa que eu me enxergue hoje?
que eu repare as cores que existem na minha pele..
permita-me contar escamas uma à uma..
e não tire meus ferroes..
só por hoje quero ver-me sem ti
sem suas mudanças
 que me transformam em algo mais fácil de engolir.
deixe que eu seja eu.. por um dia!
e eu juro, juro que logo após eu descobrir quem sou e saber me alto descrever
conseguir me alto sentir..
não mais terá de me deixar viver!

deixe-me ser feliz ao seu lado então..
quando não se t~em mais mistérios acaba-se a vida..
isso é fato..
retiro então tudo que disse senhor..
não quero me conhecer.. não quero saber nada de mim!
continue me guiando é tao mais fácil, é tao melhor quando me dizem o que fazer
se eu escolho, a consequência é minha, mas se eu sou mandada.. assuma você!

continue sendo minha anêmona.. me proteja sociedade!
me proteja meu amor!

sábado, 10 de novembro de 2012

Trague-me

imagina ser tragado?
compare-se a um cigarro comum..
qual é o processo pelo qual ele passa, o que ele sofre e o que é usado em sua fabricação?
o que nos fabrica? o que nos cria, oque temos em nossa composição, fumo?
ate ser aceso, o que nos acende? o que nos dá luz, fogo e vontade desmotivada, a queimar, desaparecer de algo palpável e virar simplesmente fumaça..
somos difíceis de tragar, mas porque?

me dichave.. me picote, me desgrude, me desintegre.. me desfaça..
me enrole, me bole, me encape, me vista, me cubra..
me dê calor, me queime, me coloque fogo, me ascenda..
me leve aos labios..
traga-me, me trague, me puxe, me sugue, me respire, me permita.
leve-me ate seu interior, deixe-me ser o seu por instantes.. e prense-me!
segure-me dentro do seu peito e só libere-me quando nao conseguir mais respirar..
serei a sua calma, a sua brisa.. seu vicio entorpecente.
faça com que eu seja a sua droga preferida!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

RIO

você é um rio
e de alguma forma eu quero navegar em você!
quero que você navegue em cada queda d'água em meu corpo
e quero morrer sufocada por suas águas..
literalmente!

quero conhecer-te por inteiro,
saber de suas correntezas, seus cascalhos e areia ao fundo,
para eu poder me estabilizar,
encostar os pés no chão com toda firmeza
e saber que nada ali me magoará mais!

espero que você te encontre,
e quero que te encontre em mim..
faça de mim, com minhas alternâncias de temperatura
o seu afluente mais certo,
o afluente que nunca vai secar,
 nunca vai deixar de desaguar no seu rio

mergulhe em mim,
conheça minha fauna..
conheça todos os animais que moram em mim,
as ações e reações de cada ser, a forma de defesa para cada um,
e faça parte da minha cadeia alimentar!
pois sou tudo; sou rio, sou peixe, sou água, sou ar..
admire todas as belas flores que flutuam sobre mim
suba  em forma de moléculas nos aguapés que flutuam aqui em cima,
 e deixe-se evaporar!

deixe-me misturar..
as tuas águas com as minhas!
quero desaguar em você,
quero que você e eu sejamos o rio principal
o que banha cidades, e que querendo ou não,
é contaminado de alguma forma pela sociedade
mas como não ser contaminados?

contaminação.. preconceito..
nós, como rio principal aprenderemos juntos como lutar contra
e no final..
acabaremos em uma linda cachoeira, sob lindas pedras,
servindo de cenário para inspirações únicas


poderemos contar com o sol..
para animar todos a irem nos visitar as vezes..
aquecendo-os para que suportem nossa frieza,
 frieza causada pela mágoa de muito maltrato
muito lixo, muita desordem e exploração que ja causaram em nosso leito!
mas nada, nada, tirará nossa beleza,
nossa pureza e o nosso poder de alimentar
de fazer suprir a necessidade do homem..
afinal, quem vive sem água doce?

sábado, 13 de outubro de 2012

cuecas e calcinhas - Alexandre Nero

http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=PU3qq48ToaA&feature=endscreen

como as musicas nos lembram pessoas...
essa musica retrata tudo que queremos, nós eu e você ter como vida.. mas não esquenta cabeça, pra todo pé cansado existe um chinelo velho..



''..e ao final da vida, velhinhos perceber, que não foi assim tão mal..''

domingo, 30 de setembro de 2012

Para um antigo amor

Eu te falei pra você não mentir para mim
Eu te falei pra você não mentir
Não mentir para mim
Porque é a mim que a mentira machuca
Machuca
Mas é em ti que ela fecunda
Fecunda e dói
E o meu amor você perdeu
Perdeu nessa hora
Embora o meu amor seja teu
Meu amor eu vou embora
Porque você mentiu e o seu rosto
Seu rosto se quer cora
E eu vou botar meu coração
Pra curar lá fora
Pq eu falei pra você não mentir pra mim
Eu te falei pra você não mentir
Não mentir para mim
Porque é a mim que a mentira machuca
Machuca
Mas é em ti que ela fecunda
Fecunda e dói
E o seu coração vai cair
Vai cair no chão
Sou um flor do mato
Um pé de manjericão
Por muito pouco eu mato
Te mato
Te mato com essa canção
Porque eu falei pra você não mentir para mim
Eu te falei pra voce não
Não mentir para mim
Porque é a mim que a mentira machuca
Machuca
Mas é em ti que ela fecunda
Fecunda e dói
E agora aguenta essa árvore crescer
Esmagar o seu coração
Porque você mentiu pra alguém
E essa foi meu bem
A sua maior desrazão

http://www.youtube.com/watch?v=i3yQWfK9sWg



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Odalisca android





Eu estou sempre aqui, olhando pela janela não vejo arranhões no céu nem discos voadores. Os céus estão explorados mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui.
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Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica.
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Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de TV. Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária.
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Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de Saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador.
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